Manual Para Subidas e Castelos Virados
Se é mesmo um manual, ou crônicas, ou confissões não sei bem dizer. Sei que dói um bocado. Aliás, mais que doer, incomoda, corrói, carcome, apodrece, escarra e destrói qualquer orgulho humano que se preze. Não só o orgulho como o humor, a alegria e qualquer outro tipo de força boa que talvez houvesse nesse humano; por isso recomendo lê-lo.
Deixe-me explicar: do que tiras tu forças? Exemplificando, alguns têm para estim’ação o amor, outros o jogo; alguns o trabalho e o suor. Outros cães ou gatos, ou os filhos. No fim, todos tiramos as forças de alguma coisa, seja isso bom ou ruim. Eu me estou mais para aqueles que tiram as forças do amor, por mais que sejamos os que mais sofrem. Saiba, o amor é um terreno incerto, cheio de solavancos e terremotos; daqueles que os verdadeiramente inteligentes por nada montam seu alicerce sobre – sabem que caíra o que construírem.
É talvez a partir daqui que começa minha verdadeira sina.
Pois montar as bases da sua felicidade nesse terreno hora arenoso, hora firme como pedra, acaba somente gerando infelicidades! É muito parecido com a ideia de se virar um castelo de ponta-cabeça: como seria possível viver pisando no teto? Cá entre nós, isso sim deve de ser um gigante problema. Acostumar-se com seu lar virado de desta forma excêntrica deve ser frustrante, além de muito estranho. Mas temos que sempre sermos, dia após dia, mais fortes. Deve existir algum tipo de remédio para isso, como mudar-se para uma nova terra, mas uma das boas, onde não há castelos de ponta-cabeça, ou casas de pernas para o ar, ou felicidades transformadas em infelicidades. Mas os que gostam do amor não trocam sua terra por nada. “Chamem-nos de idiota!”, gritamos.
Preferimos viver pisando no teto, ou subindo pelas paredes, ou que mais diabo for necessário; tudo por um só sentimento. Tudo por um só sorriso, ou quem sabe um par de elogios. Mas no amor, diferente região de todas, no amor não se repara direito no que acontece, mas quando acontece, provavelmente arruína todo seu dia. Quem sabe não arruína até toda sua semana, ou todo seu ano. Ouvi casos em que foi arruinada toda uma vida!
Nessa terra de gigantes, esta é a lei. Durma com um olho aberto, tranque as portas e janelas, não fume, e se for dirigir, não beba. Belos limites, que como dizem todas as bocas dessa terra, só existem para serem quebrados.
E é nessa rotina que nos encontramos: viver num castelo de ponta cabeça, vomitando o que nos foi dado de comer. É aqui que se desiste.
Ou não. Ou se resolve dar a cara pra bater, lá fora. Ah, coisa sem preço! Como é satisfatório agüentar todas e quaisquer pancadas que nos derem! Seja com as mãos nuas, porretes, facas, choques ou fogo. Agüenta-se tudo no peito, e este estufado e aberto, como querendo mais ainda a dor, como se dissesse “Venham! Venham! Não me assustam!”. Dar a cara pra bater, no caso dos que usam de combustível o amor, pode não ser uma coisa boa.
Às vezes se fica com combustível demais; normalmente falta o que queimar para gerar mais energia. E tenha certeza de que se precisa de muita energia para subir os morros desta terra de loucos.
São elevadíssimas, montanhas arranha-céu, cortando já aquele terreno problemático e cheio de intempéries.
É entediante ficar sem combustível ao começar a subida – mas é o começo, é só descer. Esses são os melhores casos. Felizes são os que ficam sem energia nos primeiros dias de jornada.
É uma pena, quando se fica sem combustível, próximo da metade da viagem. Nem se aproveita boa parte da vista, nem se está totalmente esgotado, existe um impulso em continuar viajando, mas oras, voltemos! O pior dos males é ficar sem sua gasolina muito próximo ao topo; Esses são os que mais se frustram.
A vista já é belíssima, mas não o bastante, pois não é a visão do topo. Está-se cansado, com fome, falta de ar e uma dor absurda nas pernas e no estômago: tudo isso para não chegar lá em cima. Estes perdem a cor dos olhos.
No entanto, o que nós, sonhadores, talvez ingênuos e provavelmente idiotas, acreditamos é que compensa arriscar. Compensa arrancar tudo da garagem e embarcar para a montanha mais alta.
É simples, como pensamos: Viajaremos por meses, anos. Faltar-nos-á comida, bebida e descanso. O Sol, que nos fará bem por umas semanas, acabará por queimar toda a nossa pele, e pediremos a chuva. A chuva, que será uma benção nos primeiros dias, acabará encharcando nossas roupas e ossos, e imploraremos pelo frio. O frio, que nos secará até a alma, acabará, por fim, por nos gangrenar alguns dedos, além de desaquecer nosso coração. Aí vamos querer o Sol, novamente. Complicada a subida!
Mas alguns alcançam o topo. Certos campeões chegam lá, e plantam seu estandarte, ou gritam seu nome, enfim, deixam sua marca de vitória. Engraçado que depois de mil dias de choro, choramos pela milésima primeira vez.
Só que, finalmente, é de felicidade.
Augusto Môro
segunda-feira, 19 de abril de 2010
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
o final
#4. O Final – que nada tem de fim!
Muito bem, está dito. Está explicado o por quê de eu acreditar que há salvação nessa vida. Não sei se de forma satisfatória mas, enfim, está explicado. Acima de tudo, espero que meus sentimentos estejam bastante visíveis para todos... São só eles que importam; Acima de tudo, leitor, são eles que importam, que ficam.
Como dizem por aí, “O que se leva dessa vida?” Nada! Digo eu. “De onde viemos?” Quem sabe? Mas suponho eu ser de um lugar agradável! “Para onde vamos?” E isso lá importa? Respondo-lhes. Essa vida, simplesmente tem que valer.
Valer para o senhor mesmo, não para mais quem quer que seja. E como ela valerá, em verdade, somente o senhor mesmo saberá responder-lhe a si mesmo. Para mim, tudo que me vale é o amor de Ayenet. Tudo que me vale é as coisas valerem, sendo como forem, colocando-me um sorriso no rosto, e satisfazendo Ayenet. Acredite, ela realmente me é tudo, leitor. Gosto de acreditar que somos tudo um para o outro.
Muito me alegra o quão é recíproco isso tudo. Também me deixa aos saltos o quão bela minha bela fica num vestido branco – incomparavelmente linda. Aliás, chamá-la somente linda é um insulto, no entanto isso me parece um pouco chavão, lugar-comum demais; por isso diria que ela é mesmo linda, linda de morrer, linda de doerem-se todos os meus ossos, músculos e dedos, linda como a noite, linda como o dia, como as montanhas num dia chuvoso, ou como um raio de luar, linda como somente ela sabe ser, linda, dona ela da maior beleza que já vi.
E não tenho muito mais a dizer, exceto insistir pra que o senhor desde já começa a mudar-se! Pra que desde já comecemos a viver nossa vida como se deve, aproveitando realmente. Viver para alguma coisa além de só o dinheiro, muito mais além de somente viver. Viver porque se dá gosto viver, por que vale!
“Because this life, it has got to worth it! We should celebrate every step forward. We should celebrate every celebration! Dance, drink, laugh, then sleep, then do everything again! Yet work, of course, yet have problems. But that must not be the only thing.” Como assim me disse um grande rapaz, de um nome peculiar, Leaf, se chamava.
Amigo leitor, talvez tenha até eu me demorado não é? Comeu todos os doces que existiam em sua casa? Pois se o fez, compre mais, que não podemos ficar sem doces, oras! É uma sugestão, somente, porém.
E a grande verdade é que não consigo imaginar um ponto final pra isso tudo, já que não quero que esta história tenha um fim. Gosto de apreciar a idéia de que ela será infinita, tenha certeza! Então é assim que termino! Sem final, sem nem passar perto de um ponto final, pois – sim! – ela ainda tem muito que acontecer!
Pois – sim! – certamente que vale muito a pena
Augusto Môro
Muito bem, está dito. Está explicado o por quê de eu acreditar que há salvação nessa vida. Não sei se de forma satisfatória mas, enfim, está explicado. Acima de tudo, espero que meus sentimentos estejam bastante visíveis para todos... São só eles que importam; Acima de tudo, leitor, são eles que importam, que ficam.
Como dizem por aí, “O que se leva dessa vida?” Nada! Digo eu. “De onde viemos?” Quem sabe? Mas suponho eu ser de um lugar agradável! “Para onde vamos?” E isso lá importa? Respondo-lhes. Essa vida, simplesmente tem que valer.
Valer para o senhor mesmo, não para mais quem quer que seja. E como ela valerá, em verdade, somente o senhor mesmo saberá responder-lhe a si mesmo. Para mim, tudo que me vale é o amor de Ayenet. Tudo que me vale é as coisas valerem, sendo como forem, colocando-me um sorriso no rosto, e satisfazendo Ayenet. Acredite, ela realmente me é tudo, leitor. Gosto de acreditar que somos tudo um para o outro.
Muito me alegra o quão é recíproco isso tudo. Também me deixa aos saltos o quão bela minha bela fica num vestido branco – incomparavelmente linda. Aliás, chamá-la somente linda é um insulto, no entanto isso me parece um pouco chavão, lugar-comum demais; por isso diria que ela é mesmo linda, linda de morrer, linda de doerem-se todos os meus ossos, músculos e dedos, linda como a noite, linda como o dia, como as montanhas num dia chuvoso, ou como um raio de luar, linda como somente ela sabe ser, linda, dona ela da maior beleza que já vi.
E não tenho muito mais a dizer, exceto insistir pra que o senhor desde já começa a mudar-se! Pra que desde já comecemos a viver nossa vida como se deve, aproveitando realmente. Viver para alguma coisa além de só o dinheiro, muito mais além de somente viver. Viver porque se dá gosto viver, por que vale!
“Because this life, it has got to worth it! We should celebrate every step forward. We should celebrate every celebration! Dance, drink, laugh, then sleep, then do everything again! Yet work, of course, yet have problems. But that must not be the only thing.” Como assim me disse um grande rapaz, de um nome peculiar, Leaf, se chamava.
Amigo leitor, talvez tenha até eu me demorado não é? Comeu todos os doces que existiam em sua casa? Pois se o fez, compre mais, que não podemos ficar sem doces, oras! É uma sugestão, somente, porém.
E a grande verdade é que não consigo imaginar um ponto final pra isso tudo, já que não quero que esta história tenha um fim. Gosto de apreciar a idéia de que ela será infinita, tenha certeza! Então é assim que termino! Sem final, sem nem passar perto de um ponto final, pois – sim! – ela ainda tem muito que acontecer!
Pois – sim! – certamente que vale muito a pena
Augusto Môro
quarta-feira, 16 de setembro de 2009
à beira do riacho
#3. À Beira do Riacho – Seraf sorrindo e sem fôlego nos conta!
Ficaram as coisas mais claras agora, leitor? Espero que sim. E bem, devo dizer-lhe que a resposta àquela carta foi imediata; assim como o amor entre nós dois foi rápido em montar seus alicerces de reciprocidade. Pelos deuses, e como foi rápido. Mas em verdade isso é algo ótimo.
Gostaria agora de relatar-lhe a experiência de um belíssimo dia que houve. Já nos relacionávamos há algum tempo, não sei dizer-lhe há exatamente quanto, desculpe-me; isso acontece porque pareço conhecer Ayenet desde o dia em que nasci – e nascemos apaixonados um pelo outro. De qualquer forma, um dia único, a data não fará muita diferença, suponho.
Sentados sossegávamos na suave relva, Ayenet molhava, no marejar morno d’um riachinho, seus sedosos e belos pezinhos, branquinhos, na pouca correnteza que havia, afinal, até as águas se emocionavam com a belezinha deles! Ali nos olhávamos. Torna-se cintilante ao sol, a senhorita, sabe-se lá como, somente sei que se parece mais brilhante. O sol, pois queria tocá-la, parecia arder com mais ansiedade; mas as belas nuvens, fofinhas, flutuantes, fluídas, abrandaram de forma magistral os anseios do astro maior, e não houve dano à pele meiga e bem cuidada de Ayenet. Vestia ela azul claro, bastante clarinho, uma roupa de verão, que completavam minha plena satisfação. Fica tão bem de azul-claro, a minha bela!
Ali, deitado ao colo daquela que deu cores quíntuplas a minha vida cinza chata, resolvi me arriscar:
“É mesmo amor que há entre nós, bela?” Perguntei-lha, com o coração a sair-me pela boca, um medo mórbido de uma negativa resposta, mas as pupilas dilatadas de esperança.
“Acho que sim!” Ela me respondeu, e sorrindo como se tivesse encontrado diamantes em meus olhos completou: “Há algum por quê de não sê-lo, anjo?”
Admito que neste momento sorria eu como se todo o mundo a minha volta fosse feito de diamantes. Minha alegria e gosto pela vida eram tantos que até me ruborizaram as faces, e eu fiquei sem palavras. Por longos segundos nos olhamos, em silêncio, explodindo de alegria, como se algo mais profundo que nossas almas se conversassem. O beijo que ocorreu, logo após o término desse diálogo sem palavras, teve gosto de baunilha. Sou apaixonado por baunilha! Em verdade não sei se os lábios de Ayenet têm aquele gosto de baunilha, ou se foi um erro de processos em minha mente, que se atordoa inteiramente ao lado dela.
Admiti também naquele riacho o quanto ela me fazia bem, o quanto a adorava, o quanto eu a agradecia por ter entrado em minha vida e não ter saído. Também o quanto eu gostaria que ela não saísse, mas sim que ficasse. Ayenet ouvia a todas as minhas palavras atenta, com o rosto em brasa... Belíssima – um desmaio de bela – quando fica sem jeito!
Talvez agora o senhor possa estar pensando: “Ah, mas este riacho certamente lhes demonstra que as palavras somente foram embora, levadas pelo vento, pela água, pelo movimento da vida!” Perspicaz, no entanto, incorreto!
Aquele riacho só pôde demonstrar – aliás – não somente o riacho, mas toda aquela paisagem, o sol, as nuvens, a grama, o canto dos pássaros; essas composições todas somente nos mostraram uma coisa, quando todas elas se juntaram ali para nós, quando ali se juntaram em quebra-cabeças, quando ali se juntaram numa química perfeita, numa gravura sem imperfeições, se juntaram e mesmo assim resolveram ofuscar-se por detrás, sendo somente um cenário...
O riacho corria devagar em honra aos pés de Ayenet, e corria baixinho, para não atrapalhar nem um verbo de nossa conversa. Os pássaros imitavam essa manobra do riacho, cantavam com amor, mas não para serem ouvidos. O sol, por mais que ardesse, abrandava-se nas nuvens, e de forma até gentil. As nuvens só ofuscavam o sol, perderam suas formas, até seu branco deixaram de lado. A grama confortava-nos como um veludo, parecia cortada à mão, uma por uma, por um jardineiro muitíssimo experiente, mas sequer saiu ela debaixo de nós.
Insisto, todas essas coisas, forte como só elas são, ali se juntaram e se ofuscaram, ali se esforçaram para aparecer por detrás, quietas, aparentemente envergonhadas até, mas ainda belas... Isso só pode significar uma coisa!
Até os planetas movem-se mais devagar diante um verdadeiro amor!
Augusto Môro
Ficaram as coisas mais claras agora, leitor? Espero que sim. E bem, devo dizer-lhe que a resposta àquela carta foi imediata; assim como o amor entre nós dois foi rápido em montar seus alicerces de reciprocidade. Pelos deuses, e como foi rápido. Mas em verdade isso é algo ótimo.
Gostaria agora de relatar-lhe a experiência de um belíssimo dia que houve. Já nos relacionávamos há algum tempo, não sei dizer-lhe há exatamente quanto, desculpe-me; isso acontece porque pareço conhecer Ayenet desde o dia em que nasci – e nascemos apaixonados um pelo outro. De qualquer forma, um dia único, a data não fará muita diferença, suponho.
Sentados sossegávamos na suave relva, Ayenet molhava, no marejar morno d’um riachinho, seus sedosos e belos pezinhos, branquinhos, na pouca correnteza que havia, afinal, até as águas se emocionavam com a belezinha deles! Ali nos olhávamos. Torna-se cintilante ao sol, a senhorita, sabe-se lá como, somente sei que se parece mais brilhante. O sol, pois queria tocá-la, parecia arder com mais ansiedade; mas as belas nuvens, fofinhas, flutuantes, fluídas, abrandaram de forma magistral os anseios do astro maior, e não houve dano à pele meiga e bem cuidada de Ayenet. Vestia ela azul claro, bastante clarinho, uma roupa de verão, que completavam minha plena satisfação. Fica tão bem de azul-claro, a minha bela!
Ali, deitado ao colo daquela que deu cores quíntuplas a minha vida cinza chata, resolvi me arriscar:
“É mesmo amor que há entre nós, bela?” Perguntei-lha, com o coração a sair-me pela boca, um medo mórbido de uma negativa resposta, mas as pupilas dilatadas de esperança.
“Acho que sim!” Ela me respondeu, e sorrindo como se tivesse encontrado diamantes em meus olhos completou: “Há algum por quê de não sê-lo, anjo?”
Admito que neste momento sorria eu como se todo o mundo a minha volta fosse feito de diamantes. Minha alegria e gosto pela vida eram tantos que até me ruborizaram as faces, e eu fiquei sem palavras. Por longos segundos nos olhamos, em silêncio, explodindo de alegria, como se algo mais profundo que nossas almas se conversassem. O beijo que ocorreu, logo após o término desse diálogo sem palavras, teve gosto de baunilha. Sou apaixonado por baunilha! Em verdade não sei se os lábios de Ayenet têm aquele gosto de baunilha, ou se foi um erro de processos em minha mente, que se atordoa inteiramente ao lado dela.
Admiti também naquele riacho o quanto ela me fazia bem, o quanto a adorava, o quanto eu a agradecia por ter entrado em minha vida e não ter saído. Também o quanto eu gostaria que ela não saísse, mas sim que ficasse. Ayenet ouvia a todas as minhas palavras atenta, com o rosto em brasa... Belíssima – um desmaio de bela – quando fica sem jeito!
Talvez agora o senhor possa estar pensando: “Ah, mas este riacho certamente lhes demonstra que as palavras somente foram embora, levadas pelo vento, pela água, pelo movimento da vida!” Perspicaz, no entanto, incorreto!
Aquele riacho só pôde demonstrar – aliás – não somente o riacho, mas toda aquela paisagem, o sol, as nuvens, a grama, o canto dos pássaros; essas composições todas somente nos mostraram uma coisa, quando todas elas se juntaram ali para nós, quando ali se juntaram em quebra-cabeças, quando ali se juntaram numa química perfeita, numa gravura sem imperfeições, se juntaram e mesmo assim resolveram ofuscar-se por detrás, sendo somente um cenário...
O riacho corria devagar em honra aos pés de Ayenet, e corria baixinho, para não atrapalhar nem um verbo de nossa conversa. Os pássaros imitavam essa manobra do riacho, cantavam com amor, mas não para serem ouvidos. O sol, por mais que ardesse, abrandava-se nas nuvens, e de forma até gentil. As nuvens só ofuscavam o sol, perderam suas formas, até seu branco deixaram de lado. A grama confortava-nos como um veludo, parecia cortada à mão, uma por uma, por um jardineiro muitíssimo experiente, mas sequer saiu ela debaixo de nós.
Insisto, todas essas coisas, forte como só elas são, ali se juntaram e se ofuscaram, ali se esforçaram para aparecer por detrás, quietas, aparentemente envergonhadas até, mas ainda belas... Isso só pode significar uma coisa!
Até os planetas movem-se mais devagar diante um verdadeiro amor!
Augusto Môro
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