quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

o final

#4. O Final – que nada tem de fim!


Muito bem, está dito. Está explicado o por quê de eu acreditar que há salvação nessa vida. Não sei se de forma satisfatória mas, enfim, está explicado. Acima de tudo, espero que meus sentimentos estejam bastante visíveis para todos... São só eles que importam; Acima de tudo, leitor, são eles que importam, que ficam.
Como dizem por aí, “O que se leva dessa vida?” Nada! Digo eu. “De onde viemos?” Quem sabe? Mas suponho eu ser de um lugar agradável! “Para onde vamos?” E isso lá importa? Respondo-lhes. Essa vida, simplesmente tem que valer.
Valer para o senhor mesmo, não para mais quem quer que seja. E como ela valerá, em verdade, somente o senhor mesmo saberá responder-lhe a si mesmo. Para mim, tudo que me vale é o amor de Ayenet. Tudo que me vale é as coisas valerem, sendo como forem, colocando-me um sorriso no rosto, e satisfazendo Ayenet. Acredite, ela realmente me é tudo, leitor. Gosto de acreditar que somos tudo um para o outro.
Muito me alegra o quão é recíproco isso tudo. Também me deixa aos saltos o quão bela minha bela fica num vestido branco – incomparavelmente linda. Aliás, chamá-la somente linda é um insulto, no entanto isso me parece um pouco chavão, lugar-comum demais; por isso diria que ela é mesmo linda, linda de morrer, linda de doerem-se todos os meus ossos, músculos e dedos, linda como a noite, linda como o dia, como as montanhas num dia chuvoso, ou como um raio de luar, linda como somente ela sabe ser, linda, dona ela da maior beleza que já vi.
E não tenho muito mais a dizer, exceto insistir pra que o senhor desde já começa a mudar-se! Pra que desde já comecemos a viver nossa vida como se deve, aproveitando realmente. Viver para alguma coisa além de só o dinheiro, muito mais além de somente viver. Viver porque se dá gosto viver, por que vale!
“Because this life, it has got to worth it! We should celebrate every step forward. We should celebrate every celebration! Dance, drink, laugh, then sleep, then do everything again! Yet work, of course, yet have problems. But that must not be the only thing.” Como assim me disse um grande rapaz, de um nome peculiar, Leaf, se chamava.
Amigo leitor, talvez tenha até eu me demorado não é? Comeu todos os doces que existiam em sua casa? Pois se o fez, compre mais, que não podemos ficar sem doces, oras! É uma sugestão, somente, porém.
E a grande verdade é que não consigo imaginar um ponto final pra isso tudo, já que não quero que esta história tenha um fim. Gosto de apreciar a idéia de que ela será infinita, tenha certeza! Então é assim que termino! Sem final, sem nem passar perto de um ponto final, pois – sim! – ela ainda tem muito que acontecer!
Pois – sim! – certamente que vale muito a pena

Augusto Môro

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

à beira do riacho

#3. À Beira do Riacho – Seraf sorrindo e sem fôlego nos conta!

Ficaram as coisas mais claras agora, leitor? Espero que sim. E bem, devo dizer-lhe que a resposta àquela carta foi imediata; assim como o amor entre nós dois foi rápido em montar seus alicerces de reciprocidade. Pelos deuses, e como foi rápido. Mas em verdade isso é algo ótimo.
Gostaria agora de relatar-lhe a experiência de um belíssimo dia que houve. Já nos relacionávamos há algum tempo, não sei dizer-lhe há exatamente quanto, desculpe-me; isso acontece porque pareço conhecer Ayenet desde o dia em que nasci – e nascemos apaixonados um pelo outro. De qualquer forma, um dia único, a data não fará muita diferença, suponho.
Sentados sossegávamos na suave relva, Ayenet molhava, no marejar morno d’um riachinho, seus sedosos e belos pezinhos, branquinhos, na pouca correnteza que havia, afinal, até as águas se emocionavam com a belezinha deles! Ali nos olhávamos. Torna-se cintilante ao sol, a senhorita, sabe-se lá como, somente sei que se parece mais brilhante. O sol, pois queria tocá-la, parecia arder com mais ansiedade; mas as belas nuvens, fofinhas, flutuantes, fluídas, abrandaram de forma magistral os anseios do astro maior, e não houve dano à pele meiga e bem cuidada de Ayenet. Vestia ela azul claro, bastante clarinho, uma roupa de verão, que completavam minha plena satisfação. Fica tão bem de azul-claro, a minha bela!
Ali, deitado ao colo daquela que deu cores quíntuplas a minha vida cinza chata, resolvi me arriscar:
“É mesmo amor que há entre nós, bela?” Perguntei-lha, com o coração a sair-me pela boca, um medo mórbido de uma negativa resposta, mas as pupilas dilatadas de esperança.
“Acho que sim!” Ela me respondeu, e sorrindo como se tivesse encontrado diamantes em meus olhos completou: “Há algum por quê de não sê-lo, anjo?”
Admito que neste momento sorria eu como se todo o mundo a minha volta fosse feito de diamantes. Minha alegria e gosto pela vida eram tantos que até me ruborizaram as faces, e eu fiquei sem palavras. Por longos segundos nos olhamos, em silêncio, explodindo de alegria, como se algo mais profundo que nossas almas se conversassem. O beijo que ocorreu, logo após o término desse diálogo sem palavras, teve gosto de baunilha. Sou apaixonado por baunilha! Em verdade não sei se os lábios de Ayenet têm aquele gosto de baunilha, ou se foi um erro de processos em minha mente, que se atordoa inteiramente ao lado dela.
Admiti também naquele riacho o quanto ela me fazia bem, o quanto a adorava, o quanto eu a agradecia por ter entrado em minha vida e não ter saído. Também o quanto eu gostaria que ela não saísse, mas sim que ficasse. Ayenet ouvia a todas as minhas palavras atenta, com o rosto em brasa... Belíssima – um desmaio de bela – quando fica sem jeito!
Talvez agora o senhor possa estar pensando: “Ah, mas este riacho certamente lhes demonstra que as palavras somente foram embora, levadas pelo vento, pela água, pelo movimento da vida!” Perspicaz, no entanto, incorreto!
Aquele riacho só pôde demonstrar – aliás – não somente o riacho, mas toda aquela paisagem, o sol, as nuvens, a grama, o canto dos pássaros; essas composições todas somente nos mostraram uma coisa, quando todas elas se juntaram ali para nós, quando ali se juntaram em quebra-cabeças, quando ali se juntaram numa química perfeita, numa gravura sem imperfeições, se juntaram e mesmo assim resolveram ofuscar-se por detrás, sendo somente um cenário...
O riacho corria devagar em honra aos pés de Ayenet, e corria baixinho, para não atrapalhar nem um verbo de nossa conversa. Os pássaros imitavam essa manobra do riacho, cantavam com amor, mas não para serem ouvidos. O sol, por mais que ardesse, abrandava-se nas nuvens, e de forma até gentil. As nuvens só ofuscavam o sol, perderam suas formas, até seu branco deixaram de lado. A grama confortava-nos como um veludo, parecia cortada à mão, uma por uma, por um jardineiro muitíssimo experiente, mas sequer saiu ela debaixo de nós.
Insisto, todas essas coisas, forte como só elas são, ali se juntaram e se ofuscaram, ali se esforçaram para aparecer por detrás, quietas, aparentemente envergonhadas até, mas ainda belas... Isso só pode significar uma coisa!
Até os planetas movem-se mais devagar diante um verdadeiro amor!


Augusto Môro

terça-feira, 15 de setembro de 2009

pegue seus biscoitos

meus bons amigos, reparemm, por favor, que este aqui é o primeiro "capítulo" da história de Ayenet e Seraf. Assim, para melhor compreensão, explico: Leia este, e em seguida leia o texto abaixo (#2. O advento de Ayenet - Carta de Seraf a sua bela).
Alguma dúvida sobre a cronologia?

#1. Pegue seus biscoitos – e diga um sonoro olá!

Gostaria de me apresentar a você leitor. Chamo-me Seraf; meu sobrenome não fará diferença. Tem aí alguns biscoitos? Quem sabe um belo bolo de aniversário? Um mousse? Ora vamos, muna-se logo de alguns doces e os vá aproveitando enquanto lê. É uma sugestão, somente, porém.
Por que lhe escrevo estas linhas é bastante simples: esta vida, diria, faz pouquíssimo de bom para todos nós. Totalmente cansamo-nos trabalhando, e ao chegarmos a nossa casa temos todos os problemas familiares, todos os empecilhos milhares que nos assolam e não nos deixam alimentarmos nem dormirmos bem.
Oh, mas não pense que lhe escrevo como mais um qualquer, que somente quer vomitar as porcarias da vida numa mesa limpa, emporcalhando pratos limpos, sujando um papel virgem de escárnio e infortúnio.
Venho no sentido contrário: para garantir que nenhum de nós desista! Pois lhe garanto que se a vida nos faz mal quase que constantemente, ao fazer o bem, virá ele – o bem – de todo. Virá como uma onda, arrastando-nos para o mais fundo do mar da felicidade. A alegria nos afogará, inundará nosso acordar e nossos dias todos. Uma sensação inigualável.
Acontece que tinha eu uma vida normal... Chata, conturbada. E logo o senhor leitor já imaginava que lá ia eu a discutir as estafas da minha velha vida. Mas não, senhor, por favor, não pense isso de mim! Dê mais um belo bocado em seu doce; Ótimo. Já lhe disse que me encontro em sentido contrário! Tomo em mãos a pena e o papel para lhes berrar, urrar, gravar a fogo a esperança de que esta vida é boa!
Mas tinha mesmo eu uma vida normal. Pouquíssimo dela aproveitava. Os amores me afundavam, os estudos me cansavam, os trabalhos me esgotavam de vez. Então houve o dia que me aconteceu o bem maior deste mundo.
Era uma noite do começo de agosto. O inverno ventava gelado em meus ossos. Mas o que aconteceu acendeu uma centelha em meu interior; o fez tão fortemente, que se tornou um verão tropical, todo meu agosto.
Se me deixa filosofar um pouco mais, leitor, assedia-me à cabeça uma idéia. Vem louca dizendo que talvez nem vivesse eu antes daquela noite. Mas imagino isso ser só mais um desses clichês de amor, que li em algum Romântico, clichê que resolveu espelhar-se em minha situação para tomar forma sólida. Digo, então, que vivia sim, vivia... Mas muito mal.
Não mal como um porco, ou um sem-teto. Tinha eu casa, comida, esses básicos. Mas acontece na vida, de todos nós, suponho, uma porcaria sem tamanho, que é o esquecimento da importância desses valores pequenos, inocentes, mas que deveriam trazer muita satisfação. Como ganhar um bolinho, todo recoberto por confeitos; receber o sorriso de um neném, por mais que não haja um só dente naquela boquinha; assistir ao pôr-do-sol, ciente de que nenhum dos que o senhor viu ou verá serão iguais a este. Ao sermos crianças esses acontecimentos nos renderiam algumas páginas de um diário. Já crescendo um pouco, o bolinho seria comido num só bocado, enquanto organizávamos o itinerário de nosso dia. Pobre humanidade! Ambiciona uma rapidez que somente a destrói!
Mas retomando, pois me perdi em digressões; também eu esqueci dos pequenos valores. E o senhor leitor, se não esqueceu, esquecerá – desculpe-me a frieza com que lhe dou esta notícia... Se engasgou com o doce, tome, por favor, um pouco de refresco ou água. Muito bem, continuemos, então; dessa forma, por mais que me encontrasse em plena saúde e rodeado de amigos, não vivia feliz! Faltava-me um pedaço. O pôr-do-sol me era preto e branco.
Agora tem um dia chuvoso milhares de cores! Um dia ensolarado se transforma num caleidoscópio de tons e movimentos! O vento se estufa nas árvores, o seu soprar, o ramalhar, são sons belíssimos! Um pássaro não canta mais no mesmo tom do outro, sendo todas as canções sinfonias compostas com todo o esmero possível!
Uma benção, que se houve sobre minha vida, haverá também sobre a sua.
Oras mas quase me esqueci!
O que houve naquela noite de agosto? Pois bem, para contar-lhe, mostro uma carta que fiz, endereçada ao belo amor que me acendeu naquele agosto. Empreste-me seus olhos mais um pouco, amigo. Se for o caso, pegue mais biscoitos!


Augusto Môro
- comemorando um mês junto da minha bela Tay! *-*